Combinados, votos de PT, PCdoB, PV e PSOL em 2022 ganhariam 10 novas cadeiras na Câmara, mas retirariam sete de PSB, PDT e Rede Sustentabilidade
A criação de uma federação entre PSOL, PT, PCdoB e PV nas eleições de 2022 teria produzido um impacto mínimo na composição da Câmara dos Deputados do Brasil. Simulação realizada pelo mandato do vereador Leonel Camasão mostra que, mesmo com a união dessas siglas, o resultado geral do Congresso teria mudado muito pouco.
Pelos cálculos, a soma dos votos das quatro legendas resultaria em 10 novas cadeiras para a aliança. No entanto, esse ganho ocorreria principalmente às custas de outros partidos do campo progressista: a federação retiraria três vagas do PSB, duas do PDT e duas da Rede Sustentabilidade.
No saldo geral, as forças de esquerda e centro-esquerda — considerando também PSB, PDT e Rede — teriam apenas três cadeiras a mais na Câmara. Esse número representa menos de 1% das 513 vagas da Casa, indicando que a formação da federação teria efeito praticamente marginal sobre o equilíbrio político do parlamento.
Concentração de vagas no PT
A simulação aponta ainda que a maior beneficiada seria a bancada do PT. Das cadeiras adicionais obtidas pela federação hipotética, sete ficariam com o PT, duas com o PCdoB e apenas uma com o PSOL.
Na prática, o resultado sugere que uma federação entre PSOL, PT, PCdoB e PV tenderia a concentrar ainda mais cadeiras no PT, reduzindo a diversidade de partidos de esquerda com representação na Câmara dos Deputados.
Diferença praticamente inexistente nos estados
O estudo também indica que a federação teria impacto nulo na maior parte do país. Em 18 dos 27 estados, a soma dos votos não geraria nenhuma cadeira adicional.
Em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Espírito Santo, a votação combinada até permitiria a conquista de uma vaga extra. Porém, os candidatos mais votados dessas listas não alcançariam o mínimo de 20% do quociente eleitoral, exigido pela legislação, o que faria essas cadeiras acabarem redistribuídas para outras legendas.
Além disso, a concentração de votos nessa federação fictícia retiraria duas vagas do PSB (Rio Grande do Sul e Paraná) e uma vaga do PDT em Goiás.
PSOL perderia mandatos em São Paulo
A simulação também mostra um possível efeito negativo para o PSOL em São Paulo. Numa federação ampliada com o PT, o partido perderia dois mandatos que hoje exerce por suplência.
Nesse cenário, Luciene Cavalcante e Ivan Valente ficariam apenas com a 5ª e a 7ª suplências da lista da federação. Assim, não assumiriam o mandato durante esta legislatura, mesmo com as licenças de Marina Silva e Sônia Guajajara.
Metodologia da simulação
A análise considera a soma mecânica dos votos obtidos pela Federação Brasil da Esperança com os votos do PSOL, sem incluir os votos da Rede. Foram calculadas as vagas diretas, as sobras pela regra 80/20 e também a chamada “sobra das sobras”, conforme as regras do sistema proporcional brasileiro.
Os resultados podem inclusive estar superestimados. Isso porque uma federação única entre PSOL, PT, PCdoB e PV reduziria significativamente o número de candidaturas disponíveis. Pela legislação eleitoral, a federação poderia lançar no máximo 540 candidatos a deputado federal em todo o país.
Em 2022, no entanto, as duas federações separadas apresentaram 853 candidaturas, número 37% maior, o que amplia as possibilidades de captação de votos e distribuição de cadeiras.

