FLORIANÓPOLIS – Um levantamento realizado pelo mandato do vereador Leonel Camasão (PSOL), divulgado nesta quarta-feira (4), revela que o transporte coletivo municipal de Florianópolis perdeu mais de 2 mil horários de ônibus desde o início da pandemia.
No período entre 2019 e 2026, a capital catarinense registrou uma redução de 2.066 horários, o que representa uma queda superior a 12% na oferta. Em contraste, a população da cidade cresceu em cerca de 86 mil pessoas no mesmo intervalo – um aumento de mais de 17% no número de moradores.
A redução da frota em circulação não impediu o encarecimento do serviço. Pelo contrário: a tarifa do transporte municipal saltou de R$ 4,18 para R$ 6,20, um aumento de 48%, enquanto a disponibilidade de ônibus diminuiu. Considerando o valor da tarifa paga em dinheiro, o aumento representou o dobro da inflação.
Impacto nos dias e terminais
A queda na oferta atingiu todos os períodos da semana:
- Dias úteis: -1.072 horários (-12,17%)
- Sábados: -598 horários (-12,8%)
- Domingos: -396 horários (-12,37%)
Quanto aos terminais e categorias, o cenário é heterogêneo, com perdas críticas nos principais pontos de integração:
- Terminais com redução: TICEN (-1.192), TITRI (-608) e TILAG (-15).
- Terminais com ganho: TICAN (+516), TIRIO (+242) e TISAN (+84).
- Categorias: As linhas Troncais (-894) e Inter-regionais (-362) foram as mais afetadas, enquanto o serviço Executivo (+291) e o Convencional (+10) registraram leves altas.
Linhas mais afetadas
O levantamento identificou as dez linhas que mais perderam horários no período:
- 133 – TITRI / TICEN via Mauro Ramos: -433 horários
- 134 – TITRI / TICEN via Beira Mar: -426 horários
- 660 – Aracy Vaz Callado: -402 horários
- 670 – Monte Cristo: -387 horários
- 665 – Abraão: -279 horários
- 631 – Capoeiras: -163 horários
- 185 – UFSC / TICEN via Beira Mar: -105 horários
- 464 – Castanheiras via Gramal: -100 horários
- V-330 – TILAG / TICEN via Mauro Ramos / TITRI: -96 horários
- 168 – Monte Verde: -57 horários
Próximos passos
Para Camasão, os números são alarmantes. “É inadmissível que, com o aumento da população e da tarifa, haja uma redução, e não uma ampliação, na oferta. Vamos oficiar a Prefeitura e o Consórcio Fênix buscando justificativas e questionando as providências para reverter esse quadro”, afirmou.
O vereador avalia quais medidas podem ser tomadas para reverter tamanho colapso do sistema. “Como se não bastasse tudo isso, a Prefeitura aporta cerca de R$ 100 milhões por ano em subsídios, por um serviço cada vez pior”.

